26 abril 2007
23 abril 2007
Aniversários da barriguinha:
1 mês:22-03-2007 - 4 semanas e 2 dias.
2 meses:22-04-2007 - 8 semanas e 4 dias
3 meses:22-05-2007 - 13 semanas
4 meses:22-06-2007 - 17 semanas e 2 dias
5 meses:22-07-2007 - 21 semanas e 5 dias
6 meses:21-08-2007 - 26 semanas
7 meses:21-09-2007 - 30 semanas e 2 dias
8 meses:21-10-2007 - 34 semanas e 5 dias
9 meses:21-11-2007 - 39 semanas
Data Provável do Nascimento: 27-11-2007
2 meses:22-04-2007 - 8 semanas e 4 dias
3 meses:22-05-2007 - 13 semanas
4 meses:22-06-2007 - 17 semanas e 2 dias
5 meses:22-07-2007 - 21 semanas e 5 dias
6 meses:21-08-2007 - 26 semanas
7 meses:21-09-2007 - 30 semanas e 2 dias
8 meses:21-10-2007 - 34 semanas e 5 dias
9 meses:21-11-2007 - 39 semanas
Data Provável do Nascimento: 27-11-2007
17 abril 2007
8 Semanas
Fetal development in pregnancy week 8:
We’ve got one whole inch of baby to measure! (Uau! Que crescido!) Your little embryo has finally reached the one-inch mark (30mm) at last. And if it were possible to take a peek, you could see your tiny baby with your naked eye! What’s more, your baby is finally starting to take on some very distinct human features. For starters, their little tail (really just the spinal cord) has disappeared completely. It’s nice to know your baby can no longer be mistaken for a sea creature! Additionally, both their toes and fingers are prominent with very little, if any, webbing. Upper and lower limbs all show recognizable joints (elbows and knees) and the lower limb bones are starting to ossify. But don’t expect your baby to resemble either parent quite yet. Right now, your baby’s head is disproportionately larger than the rest of their body-making up almost half of your little one’s height and weight!
And how's mom doing?
Your slightly-larger-than-a-cherry embryo is also starting to have a physical impact on you this week—and not just hormonally, as you may be noticing a slight bulge at your midline. Most people wouldn’t even notice the change, but since you’re tuned in to every little change in your body, it hasn’t it’s always worth the time and effort to explain to yourself and others the reason for your current emotional rollercoaster; you don’t have to be a monster just because you feel a little whacked out slipped past. Good news for the hormonally tortured (Qual tortura? Se isto for assim até ao final da gravidez posso ter uma equipa de futebol. Sinto-me excelente!): if you have been extra moody lately, that may start to subside this week, as the placenta is just starting to make your baby’s hormones. This means your body will soon be able to relax its over-production of hormones as the placenta starts to regulate your baby’s hormones-- allowing your body to focus on producing more “regular levels” of hormones.
At this point any close family or friends have undoubtedly noticed you’re a little more moody and/or irritable than usual. And there are probably times where you’re ready to tell the world off (maybe you already have - claro: me and my big mouth), but it’s always worth the time and effort to explain to yourself and others the reason for your current emotional rollercoaster; you don’t have to be a monster just because you feel a little whacked out. Focus on your breathing and energy levels. Take naps if you feel fatigued but don’t be afraid to take long walks outside for fresh air. Sit down if you start to feel nauseous, eat (healthy vitamin-rich - M&M conta?) foods when you’re hungry. Even though there’s no bi-weekly paycheck or boss, pregnancy is harder work than you might think and you need lots of positive physical and emotional energy to provide your baby with the safest strongest home possible (uma casa que já se nota bem, digo eu).
We’ve got one whole inch of baby to measure! (Uau! Que crescido!) Your little embryo has finally reached the one-inch mark (30mm) at last. And if it were possible to take a peek, you could see your tiny baby with your naked eye! What’s more, your baby is finally starting to take on some very distinct human features. For starters, their little tail (really just the spinal cord) has disappeared completely. It’s nice to know your baby can no longer be mistaken for a sea creature! Additionally, both their toes and fingers are prominent with very little, if any, webbing. Upper and lower limbs all show recognizable joints (elbows and knees) and the lower limb bones are starting to ossify. But don’t expect your baby to resemble either parent quite yet. Right now, your baby’s head is disproportionately larger than the rest of their body-making up almost half of your little one’s height and weight!
And how's mom doing?
Your slightly-larger-than-a-cherry embryo is also starting to have a physical impact on you this week—and not just hormonally, as you may be noticing a slight bulge at your midline. Most people wouldn’t even notice the change, but since you’re tuned in to every little change in your body, it hasn’t it’s always worth the time and effort to explain to yourself and others the reason for your current emotional rollercoaster; you don’t have to be a monster just because you feel a little whacked out slipped past. Good news for the hormonally tortured (Qual tortura? Se isto for assim até ao final da gravidez posso ter uma equipa de futebol. Sinto-me excelente!): if you have been extra moody lately, that may start to subside this week, as the placenta is just starting to make your baby’s hormones. This means your body will soon be able to relax its over-production of hormones as the placenta starts to regulate your baby’s hormones-- allowing your body to focus on producing more “regular levels” of hormones.
At this point any close family or friends have undoubtedly noticed you’re a little more moody and/or irritable than usual. And there are probably times where you’re ready to tell the world off (maybe you already have - claro: me and my big mouth), but it’s always worth the time and effort to explain to yourself and others the reason for your current emotional rollercoaster; you don’t have to be a monster just because you feel a little whacked out. Focus on your breathing and energy levels. Take naps if you feel fatigued but don’t be afraid to take long walks outside for fresh air. Sit down if you start to feel nauseous, eat (healthy vitamin-rich - M&M conta?) foods when you’re hungry. Even though there’s no bi-weekly paycheck or boss, pregnancy is harder work than you might think and you need lots of positive physical and emotional energy to provide your baby with the safest strongest home possible (uma casa que já se nota bem, digo eu).
13 abril 2007
Breve resumo dos últimos dias
Quando divulgámos a nossa gravidez ao mundo não pensávamos que dentro de tão pouco tempo iriamos passar bom um verdadeiro terramoto emocional.
E agora tenho pena de não ter escritos posts antes pois gostava que percebessem como nos sentiamos felizes na altura.
Como já todos devem saber, na semana anterior à Páscoa, fomos fazer a primeira ecografia e fomos alertados para o facto de se poder tratar de uma gravidez anembrionária pois o embrião não era vísivel. O radiologista alertou, a obstetra confirmou. Restava vir para casa esperar que a natureza terminasse o nosso sonho.
(Primeiro esclarecimento: Uma gravidez anembrionária não tem nada a ver com gravidez psicológica como algumas pessoas chegaram a pensar. Numa gravidez psicológica, a mulher tem todos os sintomas mas na realidade nada aconteceu. Numa gravidez anembrionária, ocorre fecundação,implantação no utero, formação do saco embrionário mas por algum motivo, as células que irião formar o embrião não cumprem a sua função e este não se forma. Este problema ocorre em 25% das primeiras gravidezes).
O primeiro impacto foi díficil mas depois aceitámos que é uma situação normal e que mais valia um desgosto agora do que mais tarde. Estávamos preparados para ir para a maternidade a qualquer momento por o aborto ter começado mas isso não chegou a acontecer.
Uma semana depois, nova eco et voilá. Embrião, com batimentos cardíacos e tamanho consistente com 7 semanas.
É óbvio que já não conseguimos estar com a mesma ingenuidade e a preocupação é agora uma constante. Só às 12semanas respiraremos com mais alívio.
Entretanto, tivemos também um precalço com a médica que nos estava a acompanhar mas aquilo que parecia ser um problema acabou por se transformar numa situação muito melhor.
Portanto, estamos conscientes dos perigos que ainda existem (e vão existir a vida toda que isto de ter um filho não é o mesmo que brincar às bonecas) e aprendemos muito e crescemos com toda esta situação.
Aprendemos que ecografias precocemente nunca mais. Aprendemos que a decisão de contar a todos às 5 semanas foi a melhor que podíamos ter tomado principalmente se alguma coisa correr mal. Aprendemos que não queremos saber pormenores das ecografias: tamanho, batimentos cardíacos e outros que tais só servem para criar ansiedade. Basta-nos saber se há motivos de preocupação ou se está tudo bem. Não somos todos iguais e padronizar-nos exageradamente pode ter o efeito contrário ao desejado.
Agora, aguardamos serenos pela próxima etapa.
Assim que for havendo novidades e tivermos disponibilidade, aqui estaremos para que todos possam ir acompanhando o grande momento da nossa vida!
E agora tenho pena de não ter escritos posts antes pois gostava que percebessem como nos sentiamos felizes na altura.
Como já todos devem saber, na semana anterior à Páscoa, fomos fazer a primeira ecografia e fomos alertados para o facto de se poder tratar de uma gravidez anembrionária pois o embrião não era vísivel. O radiologista alertou, a obstetra confirmou. Restava vir para casa esperar que a natureza terminasse o nosso sonho.
(Primeiro esclarecimento: Uma gravidez anembrionária não tem nada a ver com gravidez psicológica como algumas pessoas chegaram a pensar. Numa gravidez psicológica, a mulher tem todos os sintomas mas na realidade nada aconteceu. Numa gravidez anembrionária, ocorre fecundação,implantação no utero, formação do saco embrionário mas por algum motivo, as células que irião formar o embrião não cumprem a sua função e este não se forma. Este problema ocorre em 25% das primeiras gravidezes).
O primeiro impacto foi díficil mas depois aceitámos que é uma situação normal e que mais valia um desgosto agora do que mais tarde. Estávamos preparados para ir para a maternidade a qualquer momento por o aborto ter começado mas isso não chegou a acontecer.
Uma semana depois, nova eco et voilá. Embrião, com batimentos cardíacos e tamanho consistente com 7 semanas.
É óbvio que já não conseguimos estar com a mesma ingenuidade e a preocupação é agora uma constante. Só às 12semanas respiraremos com mais alívio.
Entretanto, tivemos também um precalço com a médica que nos estava a acompanhar mas aquilo que parecia ser um problema acabou por se transformar numa situação muito melhor.
Portanto, estamos conscientes dos perigos que ainda existem (e vão existir a vida toda que isto de ter um filho não é o mesmo que brincar às bonecas) e aprendemos muito e crescemos com toda esta situação.
Aprendemos que ecografias precocemente nunca mais. Aprendemos que a decisão de contar a todos às 5 semanas foi a melhor que podíamos ter tomado principalmente se alguma coisa correr mal. Aprendemos que não queremos saber pormenores das ecografias: tamanho, batimentos cardíacos e outros que tais só servem para criar ansiedade. Basta-nos saber se há motivos de preocupação ou se está tudo bem. Não somos todos iguais e padronizar-nos exageradamente pode ter o efeito contrário ao desejado.
Agora, aguardamos serenos pela próxima etapa.
Assim que for havendo novidades e tivermos disponibilidade, aqui estaremos para que todos possam ir acompanhando o grande momento da nossa vida!
02 abril 2007
Agora que já é do domínio público...
...podem ver abaixo (17 de Março) o post que escrevemos quando soubemos que íamos ser papás.
21 março 2007
Dia Mundial da Poesia
Como hoje se comemora o dia Mundial da Poesia, deixo aqui um exemplar interessante de um grande poeta...
Poesia-Orgasmo
De silabas de letras de fonemas
se faz a escrita. Não se faz um verso.
Tem de correr no corpo dos poemas
o sangue das artérias do universo.
Cada palavra há-de ser um grito.
Um murmúrio um gemido uma erecção
que transporte do humano ao infinito
a dor o fogo a flor a vibração.
A poesia é de mel ou de cicuta?
Quando um poeta se interroga e escuta
ouve ternura luta espanto ou espasmo?
Ouve como quiser seja o que for
fazer poemas é escrever amor
a poesia o que tem de ser é orgasmo.
José Carlos Ary dos Santos
Poesia-Orgasmo
De silabas de letras de fonemas
se faz a escrita. Não se faz um verso.
Tem de correr no corpo dos poemas
o sangue das artérias do universo.
Cada palavra há-de ser um grito.
Um murmúrio um gemido uma erecção
que transporte do humano ao infinito
a dor o fogo a flor a vibração.
A poesia é de mel ou de cicuta?
Quando um poeta se interroga e escuta
ouve ternura luta espanto ou espasmo?
Ouve como quiser seja o que for
fazer poemas é escrever amor
a poesia o que tem de ser é orgasmo.
José Carlos Ary dos Santos
17 março 2007
O 1º dia do resto da nossa vida!
Pois é caros familiares e amigos...
Ainda que só vão ler este post algumas semanas após ele ter sido escrito gostaríamos de partilhar convosco a enorme alegria que hoje sentimos.
Vamos ser Pais!
Eis a prova do crime:
Ainda que só vão ler este post algumas semanas após ele ter sido escrito gostaríamos de partilhar convosco a enorme alegria que hoje sentimos.
Vamos ser Pais!
Eis a prova do crime:

16 março 2007
11 março 2007
05 março 2007
Uma verdade inconveniente
Let's talk about....... women

"A maioria das mulheres gostaria de um dia ter um filho, mas muitas vezes concluem que já se casaram com um."
Sheryl Crow
E depois do Adeus...
Ainda que não tenhamos dito adeus definitivamente a este blog, temos plena consciência que ele já conheceu melhores dias.
É verdade que a nossa vida não tem sido própera em novidades mas a falta de tempo também ajuda.
Andamos a pensar em formas de revitalizar este blog mas as ideias não abundam.
A ver vamos, como diz o cego.
É verdade que a nossa vida não tem sido própera em novidades mas a falta de tempo também ajuda.
Andamos a pensar em formas de revitalizar este blog mas as ideias não abundam.
A ver vamos, como diz o cego.
11 fevereiro 2007
06 fevereiro 2007
Mais um... (SIM ou SOPAS)
"Em Democracia, todos temos o direito (apetecia-me dizer ‘o dever de...’) a assumir uma opinião. Como tal, considero tão respeitáveis e válidas as opiniões pelo SIM à despenalização da IVG, como aquelas que, de uma forma coerente e responsável, se batem pelo NÃO.
No entanto, parece-me também que, essa mesma e nem sempre bem tratada democracia, exige que, ao defendermos essa dita opinião, assumamos, em simultâneo, e na totalidade, as consequências da mesma. E é aqui que a firmeza de alguns ‘NÃOs’ começa a vacilar...
Ao defender o SIM, no referendo sobre a despenalização da IVG, assumo sem preconceitos que estou a dizer que as mulheres que decidem interromper a gravidez até às 10 semanas (qualquer que seja a causa dessa opção), não devem ser, de modo algum, penalizadas por isso. Estou também a assumir que essa interrupção pode (apetece-me de novo dizer ‘deve’) ser realizada numa unidade do Serviço Nacional de Saúde (desde que esse seja o desejo da mulher), em perfeitas condições higiénico-sanitárias. Ao assumir isto, autorizo, com certeza, que uma parte dos meus impostos seja gasta para garantir a dignidade das mulheres e resolver um problema premente de saúde pública. Mas assumo também que estou a dar prevalência ao valor da maternidade responsável e desejada, relativamente a um embrião em estágio muito precoce do seu desenvolvimento. Mas se lhe quiserem chamar uma forma de vida, então eu também assumo, de novo sem preconceitos, que privilegio a vida numa forma mais ampla, mais completa, recheada de afectos, sem culpas e sem traumas. Mesmo que aumentem o dramatismo da situação e acrescentem um coração a bater, eu continuo, sem remorsos, a considerar também os outros corações e a afirmar que um coração sem afecto, pode bater, mas não VIVE.
Era esta frontalidade que eu gostaria de ver nos defensores do ‘Não’. Mas, na maioria das intervenções ela não só está ausente, como o que emerge é uma hipocrisia beata, que se quer fazer passar por benfeitora.
Ainda não percebi muito bem: os defensores do ‘Não’, não querem ver as mulheres na cadeia (é uma coisa feia, que não fica nada bem defender...), mas também não querem que se altere a lei?!... Estranho?! Pois..., mas, na cabeça desta gente, não é incompatível... Então o que defendem é assim uma coisa meio cinzenta (e ilegal, já agora), em que a lei – no papel - penaliza (para preservar as nossas consciências, é sempre bom), sujeitando as mulheres a uma pena até 3 anos de prisão, mas depois, nos tribunais – isto é, na prática – deverão existir uns juízes muito bonzinhos, que fecham os olhos à lei, e, de forma caridosa (e se possível deixando uns bons conselhos para orientar a vida dessa mulher perdida), dizem que, afinal, era só para assustar. E, pronto!, depois deste final feliz, as nossas consciências podem de novo dormir descansadas!
Então a estes eu digo: as mulheres (porque assumem os seus deveres) querem ter direitos, não querem caridade!
Caros defensores do ‘Não’, assumam com coerência as vossas legítimas opiniões. Tenham coragem de dizer que para vocês a vida de um embrião é tão relevante, que justifica que uma mulher que interrompe uma gravidez seja julgada em tribunal e cumpra uma pena de prisão, que pode ir até 3 anos!
Eu sei que as vossas consciências não ficarão tão tranquilas, mas, pelo menos, merecerão mais respeito."
in http://venhammaiscinco.blogs.sapo.pt/551.html
No entanto, parece-me também que, essa mesma e nem sempre bem tratada democracia, exige que, ao defendermos essa dita opinião, assumamos, em simultâneo, e na totalidade, as consequências da mesma. E é aqui que a firmeza de alguns ‘NÃOs’ começa a vacilar...
Ao defender o SIM, no referendo sobre a despenalização da IVG, assumo sem preconceitos que estou a dizer que as mulheres que decidem interromper a gravidez até às 10 semanas (qualquer que seja a causa dessa opção), não devem ser, de modo algum, penalizadas por isso. Estou também a assumir que essa interrupção pode (apetece-me de novo dizer ‘deve’) ser realizada numa unidade do Serviço Nacional de Saúde (desde que esse seja o desejo da mulher), em perfeitas condições higiénico-sanitárias. Ao assumir isto, autorizo, com certeza, que uma parte dos meus impostos seja gasta para garantir a dignidade das mulheres e resolver um problema premente de saúde pública. Mas assumo também que estou a dar prevalência ao valor da maternidade responsável e desejada, relativamente a um embrião em estágio muito precoce do seu desenvolvimento. Mas se lhe quiserem chamar uma forma de vida, então eu também assumo, de novo sem preconceitos, que privilegio a vida numa forma mais ampla, mais completa, recheada de afectos, sem culpas e sem traumas. Mesmo que aumentem o dramatismo da situação e acrescentem um coração a bater, eu continuo, sem remorsos, a considerar também os outros corações e a afirmar que um coração sem afecto, pode bater, mas não VIVE.
Era esta frontalidade que eu gostaria de ver nos defensores do ‘Não’. Mas, na maioria das intervenções ela não só está ausente, como o que emerge é uma hipocrisia beata, que se quer fazer passar por benfeitora.
Ainda não percebi muito bem: os defensores do ‘Não’, não querem ver as mulheres na cadeia (é uma coisa feia, que não fica nada bem defender...), mas também não querem que se altere a lei?!... Estranho?! Pois..., mas, na cabeça desta gente, não é incompatível... Então o que defendem é assim uma coisa meio cinzenta (e ilegal, já agora), em que a lei – no papel - penaliza (para preservar as nossas consciências, é sempre bom), sujeitando as mulheres a uma pena até 3 anos de prisão, mas depois, nos tribunais – isto é, na prática – deverão existir uns juízes muito bonzinhos, que fecham os olhos à lei, e, de forma caridosa (e se possível deixando uns bons conselhos para orientar a vida dessa mulher perdida), dizem que, afinal, era só para assustar. E, pronto!, depois deste final feliz, as nossas consciências podem de novo dormir descansadas!
Então a estes eu digo: as mulheres (porque assumem os seus deveres) querem ter direitos, não querem caridade!
Caros defensores do ‘Não’, assumam com coerência as vossas legítimas opiniões. Tenham coragem de dizer que para vocês a vida de um embrião é tão relevante, que justifica que uma mulher que interrompe uma gravidez seja julgada em tribunal e cumpra uma pena de prisão, que pode ir até 3 anos!
Eu sei que as vossas consciências não ficarão tão tranquilas, mas, pelo menos, merecerão mais respeito."
in http://venhammaiscinco.blogs.sapo.pt/551.html
01 fevereiro 2007
Aborto - I
_
"Este tema mexe tanto comigo... nem sei por onde começar. Em primeiro lugar acho que ninguém é a favor do aborto. A questão não pode passar por se ser a favor ou contra. Nenhuma mulher (e todas as mulheres o sabem) toma esta decisão de ânimo leve. E por isso acho um disparate o argumento de que o aborto pode tornar-se um método de contracepção. Nunca o será.
Eu acho que não era capaz de abortar. E digo isto porque nunca o fiz. Mas isto sou eu. O meu primeiro impulso é achar que não seria capaz de o fazer, que não quereria fazê-lo, mas sei perfeitamente que sim, que o faria, se me visse numa situação sem alternativa.
Mas esta questão não pode ser discutida partindo destes pontos de vista pessoais e apaixonados. Temos de ser capazes de nos descentrar do nosso umbiguismo. O que me motiva a mim, na minha situação actual e real, não é o mesmo que motiva o vizinho do lado. Compreendo e sou completamente solidária com as mulheres que abortam. Acho que a lei do nosso país é um exemplo do seu monumental atraso em tantas vertentes. Acho uma vergonha ainda serem julgadas no tribunal mulheres que abortaram.
A questão do aborto para mim é essencial, porque mexe com a nossa qualidade humana, com a essência da vida. E a vida, contrariamente ao que muitos pensam, não começa com um aglomerado de células. A vida humana é muito mais do que isso, muito mais do que um corpo a funcionar. Viver não é o mesmo que sobreviver. Há muito tempo já que a nossa espécie deixou de estar apenas ao serviço da sobrevivência pura e dura. O que nos motiva, o que nos faz sentir estar vivos, o que nos anima e nos dá vida é muito mais do que a simples produção do conjunto das nossas células vivas.
E, acerca disto, relembro novamente as palavras de Coimbra de Matos, (..):
"A vida mental do bebé é despertada e animada pelo desejo entusiástico, a paixão dos pais. Se não existir este investimento parental, a mente do bebé não se desenvolve - fica reduzida a uma protomente. O próprio investimento de vida esmorece; é uma sobrevivência apática e abúlica.
Não tendo recebido amor, o indivíduo não vive a experiência fundamental de ser amado. Experiência fundamental e fundadora; sem ela, não há o movimento de expansão a que chamamos mente - a criação contínua. Deveras, ter mente é criar."
(António Coimbra de Matos, Depressividade e Depressão Falhada, publicado em Mais Amor Menos Doença, Climepsi Editores, 2003)
São já sobejamente conhecidas as consequências nefastas para o feto de certos agentes externos, denominados teratogénicos, e que podem comprometer o seu desenvolvimento, tanto no sentido da morte como no da diminuição da qualidade de vida, associada a determinadas deficiências. Tanto, que muitos dos mais arreigados defensores "Pró-Vida" aceitam que o aborto seja praticado nas primeiras semanas, se for comprovado que o feto sofre de alguma mal-formação congénita. Mas há muitos poucos estudos que demonstrem as terríveis consequências para a futura saúde mental do bebé do facto de se nascer sem se ser desejado. O que, quanto a mim, é uma pedra fundamental da questão.Vivemos num mundo ainda muito ligado ao materialismo, ao que é palpável, ao que se vê - o que não se vê é muitas vezes relegado para segundo plano ou mesmo ignorado. Ter trissomia 21 ou sofrer de outra qualquer mal-formação cromossómica é uma razão legalmente aceite para um aborto no nosso país, mas sofrer de falta de amor e desejo dos pais não é. Tavez porque a esfera do sofrimento psíquico não seja visível a olho nú, e as sequelas da alma ainda não sejam encaradas pela comunidade, científica e não científica, com a mesma seriedade que as do corpo. Sabemos que a comunidade científica ligada ao tratamento e acompanhamento destes casos - os psi - há muito tempo que lidam com esta realidade, há muito tempo que a estudam e que lhe reivindicaram um estatuto cientificamente válido, mas a verdade é que essa mesma fatia da comunidade científica ainda não tem força nem poder social e interventivo para, num debate deste tipo, como o é o do aborto, conseguir que a perspectiva unificadora da mente e do corpo seja de facto reconhecida e influencie decisivamente a conceptualização ideológica que rege e determina o poder e a orientação política da sociedade.
Por outras palavras, ainda vivemos na idade média conceptual da dicotomia corpo-mente, em que o primeiro é reconhecidamente o reservatório de todo o sofrimento e mal estar associado à doença e à disfunção. As mal-formações ligadas ao corpo, ao soma, são socialmente reconhecidas como razões válidas para que uma criança não nasça, devido ao sofrimento futuro e à diminuição da qualidade de vida que comportam. Já as mal-formações causadas por estados emocionais e factores afectivos são completamente ignoradas. Não se desejar um filho não é um argumento reconhecido para abortar, é antes encarado como um sinal inequívoco de prevaricação materna, num juízo de valor completamente moralista, como se, pelo facto de se ter relações sexuais, fosse automaticamente obrigatório estar preparada para a maternidade.
Quando a maternidade for uma opção tomada em consciência, talvez tenhamos um mundo melhor. Quando o amor e o respeito pela vida humana forem valores mais altos, talvez o mundo realmente avance. E agora estou a ver uns sorrisinhos irónicos na cara dos que dizem defender a vida opondo-se ao aborto... Sim, é a vida humana que eu defendo! Não, não acho que um conjunto de células se possa chamar de vida humana. E que vida vamos oferecer a esse conjunto de células quando se tornar numa pessoa? É claro que não podemos prever o futuro, mas o facto de não se ser desejado é um factor de risco demasiado relevante. Que, quando conjugado com outros, como a falta de disponibilidade económica, ausência de projectos para o futuro, imaturidade emocional dos pais, isto para dar apenas alguns exemplos, pode ter um resultado explosivo.
E depois acho que os Pró-Vida andam um bocado confundidos das ideias. Porque, ou bem que defendem a vida, e então deveriam defendê-la sempre, ou bem que a não defendem. A vida é um valor demasiado precioso para só se defender às vezes. Será que o filho de uma violação tem menos direito à vida do que outro? Ou um bebé com deficiência cromossómica ou com qualquer tipo de mal-formação? Se é a vida que defendem, e entendendo que a vida começa na concepção, então tenham a coragem de defendê-la em todas as circunstâncias. Sejam coerentes com as vossas ideias.
Mas ainda que eu me identificasse com estes argumentos, o que seria muito difícil, mas tentando fazer esse exercício mental, não entendo como é que se pode ser contra a despenalização. Porque, mesmo que não concordasse com o aborto e o considerasse um acto contra a vida, acho que não seria capaz de fechar os olhos à realidade de milhares de abortos clandestinos, praticados em péssimas condições, que muitas vezes têm como infeliz desfecho a morte de tantas mulheres. O que me confrange mais nas pessoas que são contra a despenalização é a sua hipocrisia e a forma como conseguem ignorar esta realidade. Porque o aborto é uma realidade que mata milhares de mulheres. Mesmo que não concordemos com ele, não o conseguimos impedir. Penalizá-lo é apenas condenar as mulheres a praticá-lo em condições não humanas. Como é que se pode defender a vida de um embrião e fechar os olhos a tantas mortes de vidas de milhares de mulheres?"
In: http://conversandoecomentando.blogspot.com/2006/12/e-finalmente-polmica-o-aborto.html
"Este tema mexe tanto comigo... nem sei por onde começar. Em primeiro lugar acho que ninguém é a favor do aborto. A questão não pode passar por se ser a favor ou contra. Nenhuma mulher (e todas as mulheres o sabem) toma esta decisão de ânimo leve. E por isso acho um disparate o argumento de que o aborto pode tornar-se um método de contracepção. Nunca o será.
Eu acho que não era capaz de abortar. E digo isto porque nunca o fiz. Mas isto sou eu. O meu primeiro impulso é achar que não seria capaz de o fazer, que não quereria fazê-lo, mas sei perfeitamente que sim, que o faria, se me visse numa situação sem alternativa.
Mas esta questão não pode ser discutida partindo destes pontos de vista pessoais e apaixonados. Temos de ser capazes de nos descentrar do nosso umbiguismo. O que me motiva a mim, na minha situação actual e real, não é o mesmo que motiva o vizinho do lado. Compreendo e sou completamente solidária com as mulheres que abortam. Acho que a lei do nosso país é um exemplo do seu monumental atraso em tantas vertentes. Acho uma vergonha ainda serem julgadas no tribunal mulheres que abortaram.
A questão do aborto para mim é essencial, porque mexe com a nossa qualidade humana, com a essência da vida. E a vida, contrariamente ao que muitos pensam, não começa com um aglomerado de células. A vida humana é muito mais do que isso, muito mais do que um corpo a funcionar. Viver não é o mesmo que sobreviver. Há muito tempo já que a nossa espécie deixou de estar apenas ao serviço da sobrevivência pura e dura. O que nos motiva, o que nos faz sentir estar vivos, o que nos anima e nos dá vida é muito mais do que a simples produção do conjunto das nossas células vivas.
E, acerca disto, relembro novamente as palavras de Coimbra de Matos, (..):
"A vida mental do bebé é despertada e animada pelo desejo entusiástico, a paixão dos pais. Se não existir este investimento parental, a mente do bebé não se desenvolve - fica reduzida a uma protomente. O próprio investimento de vida esmorece; é uma sobrevivência apática e abúlica.
Não tendo recebido amor, o indivíduo não vive a experiência fundamental de ser amado. Experiência fundamental e fundadora; sem ela, não há o movimento de expansão a que chamamos mente - a criação contínua. Deveras, ter mente é criar."
(António Coimbra de Matos, Depressividade e Depressão Falhada, publicado em Mais Amor Menos Doença, Climepsi Editores, 2003)
São já sobejamente conhecidas as consequências nefastas para o feto de certos agentes externos, denominados teratogénicos, e que podem comprometer o seu desenvolvimento, tanto no sentido da morte como no da diminuição da qualidade de vida, associada a determinadas deficiências. Tanto, que muitos dos mais arreigados defensores "Pró-Vida" aceitam que o aborto seja praticado nas primeiras semanas, se for comprovado que o feto sofre de alguma mal-formação congénita. Mas há muitos poucos estudos que demonstrem as terríveis consequências para a futura saúde mental do bebé do facto de se nascer sem se ser desejado. O que, quanto a mim, é uma pedra fundamental da questão.Vivemos num mundo ainda muito ligado ao materialismo, ao que é palpável, ao que se vê - o que não se vê é muitas vezes relegado para segundo plano ou mesmo ignorado. Ter trissomia 21 ou sofrer de outra qualquer mal-formação cromossómica é uma razão legalmente aceite para um aborto no nosso país, mas sofrer de falta de amor e desejo dos pais não é. Tavez porque a esfera do sofrimento psíquico não seja visível a olho nú, e as sequelas da alma ainda não sejam encaradas pela comunidade, científica e não científica, com a mesma seriedade que as do corpo. Sabemos que a comunidade científica ligada ao tratamento e acompanhamento destes casos - os psi - há muito tempo que lidam com esta realidade, há muito tempo que a estudam e que lhe reivindicaram um estatuto cientificamente válido, mas a verdade é que essa mesma fatia da comunidade científica ainda não tem força nem poder social e interventivo para, num debate deste tipo, como o é o do aborto, conseguir que a perspectiva unificadora da mente e do corpo seja de facto reconhecida e influencie decisivamente a conceptualização ideológica que rege e determina o poder e a orientação política da sociedade.
Por outras palavras, ainda vivemos na idade média conceptual da dicotomia corpo-mente, em que o primeiro é reconhecidamente o reservatório de todo o sofrimento e mal estar associado à doença e à disfunção. As mal-formações ligadas ao corpo, ao soma, são socialmente reconhecidas como razões válidas para que uma criança não nasça, devido ao sofrimento futuro e à diminuição da qualidade de vida que comportam. Já as mal-formações causadas por estados emocionais e factores afectivos são completamente ignoradas. Não se desejar um filho não é um argumento reconhecido para abortar, é antes encarado como um sinal inequívoco de prevaricação materna, num juízo de valor completamente moralista, como se, pelo facto de se ter relações sexuais, fosse automaticamente obrigatório estar preparada para a maternidade.
Quando a maternidade for uma opção tomada em consciência, talvez tenhamos um mundo melhor. Quando o amor e o respeito pela vida humana forem valores mais altos, talvez o mundo realmente avance. E agora estou a ver uns sorrisinhos irónicos na cara dos que dizem defender a vida opondo-se ao aborto... Sim, é a vida humana que eu defendo! Não, não acho que um conjunto de células se possa chamar de vida humana. E que vida vamos oferecer a esse conjunto de células quando se tornar numa pessoa? É claro que não podemos prever o futuro, mas o facto de não se ser desejado é um factor de risco demasiado relevante. Que, quando conjugado com outros, como a falta de disponibilidade económica, ausência de projectos para o futuro, imaturidade emocional dos pais, isto para dar apenas alguns exemplos, pode ter um resultado explosivo.
E depois acho que os Pró-Vida andam um bocado confundidos das ideias. Porque, ou bem que defendem a vida, e então deveriam defendê-la sempre, ou bem que a não defendem. A vida é um valor demasiado precioso para só se defender às vezes. Será que o filho de uma violação tem menos direito à vida do que outro? Ou um bebé com deficiência cromossómica ou com qualquer tipo de mal-formação? Se é a vida que defendem, e entendendo que a vida começa na concepção, então tenham a coragem de defendê-la em todas as circunstâncias. Sejam coerentes com as vossas ideias.
Mas ainda que eu me identificasse com estes argumentos, o que seria muito difícil, mas tentando fazer esse exercício mental, não entendo como é que se pode ser contra a despenalização. Porque, mesmo que não concordasse com o aborto e o considerasse um acto contra a vida, acho que não seria capaz de fechar os olhos à realidade de milhares de abortos clandestinos, praticados em péssimas condições, que muitas vezes têm como infeliz desfecho a morte de tantas mulheres. O que me confrange mais nas pessoas que são contra a despenalização é a sua hipocrisia e a forma como conseguem ignorar esta realidade. Porque o aborto é uma realidade que mata milhares de mulheres. Mesmo que não concordemos com ele, não o conseguimos impedir. Penalizá-lo é apenas condenar as mulheres a praticá-lo em condições não humanas. Como é que se pode defender a vida de um embrião e fechar os olhos a tantas mortes de vidas de milhares de mulheres?"
In: http://conversandoecomentando.blogspot.com/2006/12/e-finalmente-polmica-o-aborto.html
Faltam-me as palavras...
... para dizer tudo aquilo que gostaria de dizer sobre o aborto...
Por isso, vou tentar pesquisar alguns textos com os quais me identifique e colocá-los aqui no blog.
Porque este é um tema demasiado importante para não ser aqui discutido.
Por isso, vou tentar pesquisar alguns textos com os quais me identifique e colocá-los aqui no blog.
Porque este é um tema demasiado importante para não ser aqui discutido.
16 janeiro 2007
04 janeiro 2007
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